Você sabe o que é Educação Inclusiva?

Isaura Nunes da Cunha Machado e Lorrana Faria Fonseca

Ainda que nos últimos anos o termo inclusão tenha ganhado mais destaque na mídia, algumas pessoas seguem se confundindo ao achar uma definição para a palavra. Isso se dá por conta do crescente número de palavras voltadas a descrever as ideias relacionadas à atenção a pessoas com necessidades especiais no meio educacional. Inclusão, Integração e acessibilidade são palavras comumente utilizadas para abordar estas ideias. Você sabe o que significa e a diferença entre essas ideias? 

Inclusão é o conjunto de ações que tem como objetivo incluir um grupo de pessoas que antes eram excluídas da sociedade, seja por conta de etnia, orientação sexual, deficiência física ou mental, etc. Já a ideia de integração relaciona-se a um conjunto de ações na qual as pessoas com deficiências estão inseridas, mas em grupos diferentes das pessoas “ditas normais”. Por exemplo, as crianças com e sem deficiências estão na mesma escola, mas salas diferentes. A acessibilidade diz respeito a um conjunto de medidas voltadas a garantir que pessoas com necessidades especiais possam ter acesso aos espaços da escola.

O conceito de educação inclusiva tem como base a busca por construir um ambiente educacional que seja capaz de atender a todas as pessoas independentemente de suas características. A Constituição Brasileira de 1988, no parágrafo terceiro do artigo 208, afirma que “é dever do estado garantir o atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência”. Esse mesmo documento ainda afirma que nas escolas públicas de ensino formal, os profissionais devem participar, acolher e receber todos os alunos de uma turma, contribuindo para a ampliação do potencial de aprendizagem de cada um. 

Assim, no contexto da inclusão, a existência de alunos com e sem deficiência na mesma turma contribui para o desenvolvimento de valores e uma atitude de respeito pela diversidade, proporcionando um ambiente social saudável e amigável. Isso favorece a construção de conhecimento coletivo e democrático, o que oferece a oportunidade de aprendizados mais complexos sobre a realidade. Por conta disso, antes de analisar o problema estando do lado de fora, é importante tentarmos nos colocar no lugar das pessoas com algum tipo de deficiência para que possamos compreender os desafios que elas enfrentam. 

Vejamos um exemplo disso quando nos colocamos no lugar de uma pessoas com dislexia:

Sendo a dislexia um distúrbio de aprendizagem, o exemplo nos permite observar como a leitura do texto se tornou mais confusa do que o esperado para aqueles que não possuem manifestações de dislexia. 

Um outro exemplo prático poderia ser você tentar realizar a sua rotina habitual com uma venda nos olhos. Por mais que você pudesse contar com a ajuda de sua memória na localização de objetos e no percurso a ser seguido,

haveria uma dificuldade na realização das atividades. Pense agora no quanto pode ser difícil ensinar e aprender em ambientes que não estejam preparados para atenuar essas dificuldade e por profissionais que não estejam preparados para lidar com estas questões. Segundo Marcelo García (1999), cabe à formação inicial do professor proporcionar aprendizados para o exercício da docência que contemple a inclusão. Portanto, é de extrema importância um planejamento flexível que se adapte às necessidades e capacidades de cada aluno, de forma a facilitar o seu desenvolvimento em qualquer proposta pedagógica. 

A educação inclusiva requer a implementação de práticas adaptadas à realidade de cada aluno, onde outro ponto importante é despertar o seu interesse e o acolher naquele ambiente. Vale lembrar que a ausência de uma proposta de educação inclusiva reduz a motivação de alunos com deficiência para a permanência na escola. 

Outro ponto importante a ser pensado é a nossa realidade atual de ensino à distância durante a pandemia. Pense, como alunos surdos ou cegos estão fazendo para acompanhar as aulas transmitidas por meio de videochamadas ou vídeos de aulas gravadas. Essa dificuldade de adaptação durante a pandemia já é complicada para os não portadores de deficiências. Para um portador, isso pode vir a dificultar a construção de vínculos com seus professores e colegas e, consequentemente, contribuir para o distanciamento e evasão escolar. 

Em nossa sociedade, é um desafio falar de inclusão, pois há barreiras que separam as escolas regulares dos alunos com necessidades especiais. A primeira, e mais difícil, é o preconceito. A segunda é a estrutura física, pois muitas vezes não são disponibilizadas verbas suficientes para a preparação de um ambiente escolar acessível e inclusivo. A terceira é a formação inicial e continuada de professores para a atuação na atenção a esses estudantes. Outra barreira é a falta de conhecimento a respeito dos direitos dos deficientes por parte dos seus familiares. Desta forma, é urgente o início de um trabalho de divulgação, reconhecimento e atendimento dos direitos dos deficientes. 

Você consegue visualizar a Educação Inclusiva atuando de forma eficiente em seu ambiente de estudos? Seu ambiente de estudos é inclusivo?

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Américo Pastor

Professor Adjunto do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Realizou estágio pós-doutoral em Ensino de Saúde (EEAAC-UFF) e Cognição Social (UCP). Possui doutorado e mestrado em Educação em Ciências e Saúde pelo Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde (NUTES-UFRJ), bacharelado em Psicologia pela Universidade Católica de Petrópolis e bacharelado em Desenho Industrial (Design - Programação Visual) (UFRJ). Desenvolve pesquisas sobre aprendizagens mediadas por tecnologias, linguagens e audiovisuais nos espaços formais e não formais de educação em ciências e saúde.

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